domingo, 26 de junho de 2016

RELATOS DE QUIMERA

E se você enlouquecesse?
Se sem avisos, teu olhar se corrompesse e cada traço de verdade se convertesse em absurdo?
Sentimentos descompensados, tempo-espaço descoordenados, paixões em desespero, impulsos descobertos, vontades em carne viva.
Vagar sem rumo pelas ruas, dançar ritmos que mais ninguém escuta, tratar toda verdade como um absurdo e toda certeza como desvario.
Como faria literatura tendo que buscar abrigo numa tempestade de ideias?
O que seriam dos seus versos, poeta? Um amontoado de palavras desconexas?
O que seria da tua prosa, escritor? Um relato do perambular pelo delírio?
Será que seus escritos sobreviveriam à falta de uma estável perspectiva?  Será restaria vestígios de poesia na sua purgação?
Ou simplesmente constataria que admitiu como real a ilusão que alimenta nossa fome de mentiras? E assim chegou à conclusão de que ser louco e ser poeta são sinônimos de uma mesma compreensão?
Então se lance, enlouqueça, e nos diga!

Nenhum comentário:

Postar um comentário